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PLATÃO E O MOVIMENTO SOFISTA: AS CONTRIBUIÇÕES DA RETÓRICA PARA A EDUCAÇÃO

Frente ao contexto político da democracia ateniense do século V a.C, em que a disputa do poder político e das questões jurídicas se davam por meio do discurso, a retórica é tema de grande importância política a educacional a todo cidadão grego. Os sofistas se beneficiaram deste contexto político se tornando os professores de retórica daqueles que podiam pagar por seus ensinamentos. Focado na persuasão, não se preocupavam com o mérito da verdade dos fatos, mas tão somente convencer o júri e os demais cidadãos daquilo que estavam defendendo. Defensor da verdade e vendo a grande influencia que os sofistas estavam adquirindo, Platão faz uma forte oposição aos ensinamentos retóricos sofistas e desenvolve a sua própria retórica, abordando este tema no diálogo Fedro, texto ao qual se delimitará a investigação proposta. No Fedro, Platão traz os argumentos que defenderão a sua concepção de retórica e fará uma análise crítica do tema. Nesta análise acredita-se ser possível extrair contr...

O NAVIO DE TESEU

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O paradoxo do Navio de Teseu foi publicado pela primeira vez no trabalho de Plutarco, um antigo filósofo grego seguidor de Platão. Ele descreveu como Teseu (o rei fundador de Atenas) retornou de uma longa viagem pelo mar. Ao longo de todo o percurso, todas as velhas e desgastadas placas de madeira que formavam o navio foram sendo arrancadas e substituídas por placas de madeiras novas e fortes. As placas velhas de madeiras eram jogadas ao mar. Quando Teseu e sua tripulação finalmente retornaram da viagem, cada placa de madeira do navio havia sido trocada e descartada. Isso leva às seguintes perguntas: o navio em que eles retornaram era o mesmo em que partiram, apesar de agora as placas de madeira serem completamente diferentes? E se o navio ainda tiver uma placa de madeira original em sua estrutura? E se houver duas placas de madeira original em sua estrutura? Isso mudaria a resposta de alguém? Outro modo de olhar. Se o navio em que Teseu começou sua viagem for A e o navio e...

A PASSAGEM DO MITO PARA A FILOSOFIA

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A Filosofia como a conhecemos hoje, ou seja, como uma ciência que estuda as inquietações humanas e visa explicá-las de maneira racional, surgiu na Grécia antiga, no século VI a.C, época em que basicamente tudo era explicado e tinha suas origens na mitologia. Fenômenos como um raio, por exemplo, eram tidos como uma manifestação da ira de Zeus, o comandante de todos os outros deuses. Essa explanação “divino-mitológica” para a realidade se chamou, então, cosmogonia.   Porém, os pensadores inquietos da época quiseram responder e explicar fenômenos e perguntas como essa de maneira racional e lógica, o que foi identificada como cosmologia. Começa-se, então, a se distinguir o mito da lógica, o que antes era unido (mitologia ou lógica do mito) passa a ser separado, para entender e abordar a lógica do fato e/ou fenômeno, o que a filosofia caracteriza como o período de transição “do mito ao logos”, ou seja, da explicação por meio de histórias oralmente repassadas (mitos) para a explicaçã...

SOBRE O NÃO SER OU SOBRE A NATUREZA - GÓRGIAS

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Em primeiro lugar: nada é; em segundo, mesmo que algo fosse, não seria compreensível ao homem; em terceiro lugar, mesmo que houvesse algo compreensível, não seria comunicável e explicável aos outros. Que nada é, demonstro-o desta forma: se de fato algo existe, ou é ser ou é não- -ser, ou é ser e não-ser ao mesmo tempo. Mas o não-ser não existe porque se o não-ser existisse, ele seria e não seria ao mesmo tempo. De fato, pensado como não-ser, não existe, mas enquanto existente exatamente como não-ser, existe. Mas é completamente absurdo que algo seja e não seja ao mesmo tempo; portanto, o não-ser não existe. Nem sequer o ser existe. Se de fato o ser existisse, ou é eterno ou é gerado, ou é eterno e gerado ao mesmo tempo. Se o ser é eterno não tem princípio algum; não tendo princípio, é ilimitado; se é ilimitado, não está em lugar algum; se não está em lugar algum, não existe. O ser, porém, não pode sequer ter nascido. Se de fato nasceu, ou nasceu do ser ou do não-ser; mas não nasceu ...