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GUIOMAR DE GRAMMONT: LER DEVIA SER PROIBIDO

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Por Guiomar de Grammont* Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos. Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável....

VIDA E MORTE

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Vida e Morte. Criar e Destruir. São antônimos que estão intimamente relacionados, ao mesmo tempo que estou construindo minha vida pelos segundos que se passam, também estou um segundo mais próximo da morte. Ao mesmo tempo que criamos algo novo, condenamos à destruição o velho. Este é o eterno movimento do ser. Criar e Destruir, viver e morrer. Não há como fugir. Você se constrói e se mata ao mesmo tempo. "O impulso criativo deve ser banido do sistema, uma vez que toda criação pressupõe destruição, por oferecer novas condições que rompem com a ordem estabelecida". Obter novas experiências, novos conhecimentos, eis o que lhe permite criar e destruir, faça isso e perceberá que quanto maior a sua força criativa, mais pessoas estarão lhe condenando e tentando lutar contra você. Aos medíocres o espírito de conservação e a falsa ilusão de segurança são o combustível para lutar contra toda força criativa, eles temem o novo, o desconhecido, e por isso são fadados a c...

SOBRE O NÃO SER OU SOBRE A NATUREZA - GÓRGIAS

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Em primeiro lugar: nada é; em segundo, mesmo que algo fosse, não seria compreensível ao homem; em terceiro lugar, mesmo que houvesse algo compreensível, não seria comunicável e explicável aos outros. Que nada é, demonstro-o desta forma: se de fato algo existe, ou é ser ou é não- -ser, ou é ser e não-ser ao mesmo tempo. Mas o não-ser não existe porque se o não-ser existisse, ele seria e não seria ao mesmo tempo. De fato, pensado como não-ser, não existe, mas enquanto existente exatamente como não-ser, existe. Mas é completamente absurdo que algo seja e não seja ao mesmo tempo; portanto, o não-ser não existe. Nem sequer o ser existe. Se de fato o ser existisse, ou é eterno ou é gerado, ou é eterno e gerado ao mesmo tempo. Se o ser é eterno não tem princípio algum; não tendo princípio, é ilimitado; se é ilimitado, não está em lugar algum; se não está em lugar algum, não existe. O ser, porém, não pode sequer ter nascido. Se de fato nasceu, ou nasceu do ser ou do não-ser; mas não nasceu ...